Minhas cidades

Pedro de Lima, Caxias, Crato, Brasília, Cali, Natal

Caxias, Maranhão

Lembrança querida

Nasci lá no estado do Maranhão, a 29 de junho de 1947. Os maranhenses comemoram com fervor religioso e com grande alegria as festas juninas. As ruas ficam enfeitadas; tem fogueiras em frente das casas e as pessoas soltam fogos de artifício. A alegria se completa com música e danças; com milho verde e batata doce assados nas brasas. O dia de São Pedro é o ápice das comemorações juninas. É quando se encerra o ciclo de apresentações do bumba-meu-boi, um festival que movimenta toda a população, democraticamente... Em Caxias, entre o medo do bicho jaraguá e a alegria das músicas e danças, eu costumava acompanhar o bumba-meu-boi.

 

 

Mesmo estando longe preservo as boas recordações de minha terra natal, e de outras localidades do Maranhão. Costumo dizer, como disse o poeta Gonçalves Dias: não permita deus que eu morra, sem que eu volte (de vez em quando) para lá! Lamentavelmente, voltei poucas vezes. O retorno mais recente ao Maranhão foi em 2014, à São Luís. Por isso, parece pertinente citar a Canção do exílio. Caxias, além de ser o lugar da infância, é também o lugar do desenraizamento, da separação, do distanciamento da grande família... uma espécie de autoexílio...

Durante a infância, a natureza sempre esteve presente. A natureza no Maranhão é bela e bem diversificada. Nos arredores de Caxias as paisagens são marcadas por palmeiras, rios e riachos. Quando morávamos lá, até o final dos anos 1950, havia matas, como a que cobria o morro do Alecrim, onde tinha pés de sapucaia. Havia matas pontilhadas de cocais, principalmente, as palmeiras de coco babaçu, além de mangabeiras e outras frutas. E havia as veredas com riachos margeados por buritizais.

Guardo, para sempre, o sabor e o cheiro das coisas gostosas de lá:

Os peixes (pescada, mandi, piau, tucunaré, curimatã), as frutas (murici, bacaba, juçara, bacuri, buriti), as comidas (cuxá, frigideira de camarão, arroz maria-izabel, farinha d’água).

Lembro-me das disputadíssimas peladas no adro e no largo da igreja de N.S. dos Remédios; recordo quando empinávamos papagaios e comíamos sapucaia no morro do Alecrim; lembro-me dos passeios ao riacho do Ponte e às águas minerais da Veneza. Recordo os colégios João Lisboa e Gonçalves Dias. Não esqueço, enfim, a minha cidade banhada pelo rio Itapecuru, a Trizidela, o Olho d’água...

Lembro ainda o caudaloso rio Itapecuru banhando a minha cidade natal. E a Trizidela, do outro lado da ponte... Depois de jogar futebol, a grande diversão da criançada era tomar banho no rio ou nos riachos. Mas os adultos costumavam fazer medo às crianças. Diziam que essas águas eram habitadas pelo peixe puraquê que dava choque elétricos, pelo Cabeça de Cuia que perseguia e matava as meninas e pela cobra sucuruiú, que engolia as crianças que iam lá tomar banho.

Então, Caxias era uma cidade pequena e muito simpática. Nossos avós, tios e primos moravam em lugares diferentes. Os avós maternos, Papai Tasso e Mamãe Namélia, moravam nos Três Corações. Os avós paternos, Papai Zé Américo e Mamãe Chiquinha, moravam no Olho D’água. Em suas casas ancestrais, entre sapotis e maracujás, nós os netos, nos reuníamos com frequência. Frequentemente, eu caminhava de uma casa à outra sozinho, com tranquilidade.

 

Convivíamos com pessoas e com coisas simples.

Recordo também as histórias que vivi na ferraria do Papai Tasso e as viagens de trem com Papai Zé Américo, maquinista. São inesquecíveis as invenções de brincadeiras, e os deliciosos quitutes das avós. Guardo, para sempre, o sabor e o cheiro das coisas gostosas de lá. As peixadas deliciosas e os peixes fritos saborosos, feitos com pescada, mandi, mandubé, piau, tucunaré, curimatã... O cuxá com torta de camarão, torta de caranguejo e arroz branco. Os cozidos e arroz maria-izabel, farinha d’água... Recordo também as frutas deliciosas da palmeira juçara, do bacuri, araticum, buriti, murici, bacaba... E as frutas que a gente colhia e comia no mato nas nossas aventuras de crianças: pussá, coroa de frade, araçá, tucum...

Lembro-me das disputadíssimas partidas de futebol no adro e no largo da igreja de N.S. dos Remédios. Recordo quando empinávamos papagaios e comíamos sapucaia no morro do Alecrim. No morro tinha um canhão remanescente da guerra da Balaiada, e umas instalações da Rádio Mearim de Caxias, de onde, nos domingos, era transmitido um programa popular.

 

Lembro-me dos passeios às águas minerais da Veneza. Algumas vezes, durante as férias, papai alugava uma casa com quintal perto de onde passava o riacho do Ponte. Era diversão o dia todo. Recordo os lugares onde estudei: o Colégio São José ao lado da Prefeitura, em frente à praça do Mercado. O Grupo Escolar João Lisboa na rua Aarão Reis, próximo à travessa Dos Remédios. E Grupo Escolar Gonçalves Dias na praça do poeta, onde ficava a Leiteria.

Não esqueci as animadas festas de largo de Caxias, como a de São Benedito, com parques de diversão, carrossel, canoas, pipoca e balões. Também não esqueço dos carnavais da minha infância em Caxias, e as tradicionais fantasias de fofão. No bairro do Olho d’Água, com um grupo de meninos, formávamos um bloco de sujo, fantasiados de mulher. Íamos aos bailes infantis do Círculo Operário e do Cassino Caxiense, fantasiados de Pierrot, com chapéu em forma de cone e máscaras de plástico colorido e transparente. E assistíamos ou participávamos dos corsos, tanto em Caxias quanto em Codó, com lança-perfume e saquinho com confete e serpentina.

Um dia fiquei sabendo que íamos nos mudar para outra cidade. Para mim, tudo passou muito rápido. A curiosidade pelo desconhecido me animava e não me deixava pensar nas coisas que ia perder. Talvez, por isso, cada um dos irmãos cultivou dentro de si um pedaço do Maranhão. Por isso e para recordar os tempos da infância escrevi o cordel Lembranças de Caxias e dos avós.

Crato, Ceará

Onde tudo começou

 

Para falar da minha trajetória devo começar pelo Crato. No início dos anos 1960, nossa família se mudou para aquela cidade do Cariri cearense. Meu pai, João Lima, funcionário do Banco do Brasil, fora transferido de Caxias para o Crato. Viemos todos em um caminhão, junto com a mudança. Na bolea do caminhão viajavam nossos pais, João e Natinha, e nossa irmã Raimunda.

Os filhos mais velhos (Eline, Pedro, Danilo, Célia, João Filho, Ana e Luís) viajamos na carroceria. Os outros irmãos, Márcia, Tasso e Augusto, nasceram após essa mudança do Maranhão para o Ceará. Chegamos ao Crato ao amanhecer. Logo em seguida acompanhei minha mãe ao mercado. Era o nosso primeiro contato com a cidade e os cratenses.

Nossa família, não obstante a inserção social e econômica, teve que enfrentar o preconceito de cor e a discriminação. Sobre este tema já escrevi em outro lugar. Sou negro. Moreno, mulato ou pardo. Sou filho de um homem negro e de uma mulher de pele clara. Meu pai, de origem pobre, com formação primária incompleta, superou-se, venceu barreiras, estudou e ascendeu economicamente, o que abriu as portas sociais para si e para a família.

 

Assim, eu e meus irmãos pudemos estudar nos melhores colégios.

Frequentamos os melhores clubes. E convivemos com os integrantes das elites e classes médias locais, em Caxias (Maranhão), nossa terra natal, e no Crato (Ceará), onde fixamos residência, no início dos anos 1960. Essa ascensão social, entretanto, apenas atenuou ou camuflou o preconceito e a discriminação. Com a nossa resistência e luta conseguimos superar as humilhações, as restrições e as armadilhas que se colocaram nos nossos caminhos. E assim afirmamos a nossa negritude.

Apesar desses percalços, foi no Crato, no Colégio Diocesano, nas ruas da cidade e nas paisagens da serra do Araripe e do Vale do Cariri, que assentei as bases para a minha formação. No Crato, misturado com futebol, natação, madrigal, jogral, teatro, movimento estudantil, molecagem e boemia, aconteceram os amigos, os primeiros versos, e as primeiras incursões ao amor...

Os clubes

 

Naquela época, ainda não conhecia Antoniêta, com quem me casaria muitos anos depois, em 1979. Nossos pais, João Lima e Deusdedit Castro, eram funcionários do Banco do Brasil. Frequentávamos os mesmos clubes, o Crato Tênis Clube e principalmente a AABB, cujas piscinas estavam sempre lotadas de jovens e crianças. Depois vieram os clubes da encosta da serra do Araripe: o Itaytera, Serrano e o Granjeiro.

Nos clubes, também participávamos das matinais e tertúlias dançantes, geralmente animadas por Hildegardo e seu Conjunto. Era a oportunidade para dançar e namorar. No meu caso, a timidez e o medo de ser rejeitado, muitas vezes freou a minha aproximação às meninas.

 

Na AABB pratiquei natação e joguei muito futebol de salão. Enquanto na natação eu tinha força e velocidade, no futebol nunca fui um craque, não obstante o apelido de Pelé, que ganhei logo depois de nossa chegada ao Crato. Eu jogava na lateral, avançando de vez em quando para tentar o gol. Gostava tanto do futebol quanto da natação. Mas nunca tive a disciplina suficiente para me tornar um campeão. Eu tinha muita curiosidade; queria experimentar outras coisas. Era difícil sacrificar a leitura, o teatro, a música, ou algum outro prazer para me dedicar a esses esportes. O objetivo não era ser atleta; o esporte era só uma diversão.

 

 

O tradicional e o moderno

 

Gosto de afirmar minha origem maranhense, assim como gosto do Crato. Gosto das cidades e das paisagens do Vale Cariri e da Chapada do Araripe.

Da cidade do Crato aprendi a reconhecer cada um dos seus espaços e de suas gentes. Eu costumava descobrir novos campinhos, onde os meninos jogavam futebol: no Gesso, onde a estrela era Chico Curto; no campo do Cariri, ao lado da AABB, perto da cerca de avelós; na rua em frente ao prédio onde funcionava a UEC, perto do campo do Esporte; na Praça da Sé, quando ainda não era calçada; perto da estação ferroviária, onde os circos se instalavam, de vez em quando; no Alto do Seminário, na Rua da Vala, na Rua Nelson Alencar...

Jogar futebol; fazer teatro; trabalhar em rádio e em jornal; integrar o Grupo de Escoteiros; e, mais tarde, também o Tiro de Guerra, foram motivo de incursões pelos bairros da cidade, e de aventuras pelos seus arredores e pelas encostas da chapada do Araripe.

Foi frequentando esses lugares tão diversos e me envolvendo em tão variadas atividades que conheci muitas pessoas e fiz amigos.

Enquanto morei em Natal, retornava ao Crato frequentemente, sobretudo no meio do ano, nas férias de junho e julho, durante a Expo Crato e, às vezes, durante o carnaval, por ocasião do Baile da Saudade.

 

Nessas ocasiões também me encontrava com os irmãos vindos de vários lugares (Ana, de Salvador; Célia, Raimunda e Luís, de Fortaleza; Augusto, de Brasília); e Tasso, que mora no Crato. Eram, portanto, os momentos de encontrar amigos e familiares.

Enfim, a vida no Crato, nos anos sessenta, exigiu muito de mim, um menino negro, adolescente, querendo se afirmar.

 

Vivi um pouco mais de sete anos naquela cidade, até o início de 1968, quando fui estudar em Brasília. Sete anos foi tempo suficiente para fazer e acontecer muita coisa. Foram anos decisivos para mim.

No Crato passei os momentos mais importantes da adolescência e da primeira juventude. Gosto de dizer assim, talvez como um consolo, para quem agora está vivendo a terceira ou quarta juventude.

 

Lá, em meio a efervescência dos movimentos de que participamos, escrevendo e fazendo teatro, entre a molecagem e a boemia, amei em silêncio, com medo de ser rejeitado.

Da cidade aprendi a reconhecer cada um dos seus espaços e de suas gentes. Foi frequentando esses lugares tão diversos e me envolvendo em tão variadas atividades que fiz muitos amigos, vivi muitas histórias. E cresci...

Brasília e Cali (Colômbia)

Saí do Crato para estudar em Brasília em um clima doméstico de rebeldia jovem: conflito de gerações! Antes passei um mês em Salvador, sem dinheiro para chegar a Brasília. Cheguei a Brasília no início de fevereiro: muita chuva, muita lama vermelha; estranhei.

Em 1969, entrei para o curso de Letras, em 1970 me transferi para o curso de Arquitetura e Urbanismo.

 

Viver em Brasília foi uma experiência maravilhosa. Assim como Caxias e Crato, também considero Brasília como a minha cidade: a surpreendente e bela cidade criada por Lúcio Costa, em meio aos elegantes e belos edifícios projetados por Oscar Niemeyer. 

Ali aprendi que cada pessoa tem seu próprio sonho feliz de cidade, como diz Caetano Veloso. Em Brasília, entre 1968 e 1974 -em plena ditadura militar- também vivi intensamente o sentido da amizade, do companheirismo e da solidariedade.

Em algumas cartas ao amigo Assis, escrevi:

Vivo dentro da Universidade. Brasília é o começo do Brasil. Almoço e janto, todos os dias, sem me preocupar que um dia pode não ter nada. Sim. Sim. Talvez a melhor (universidade) do Brasil! Ainda não tenho parentes aqui. Amo meus pais. Vou abrir caminho para os que vêm depois de mim. [...]

Estou em Brasília há mais de uma semana. Até agora tudo está saindo como eu previra. Não foi difícil fazer entrosamento com a turma daqui. Isto porque lá mesmo, em Salvador – passei quase vinte dias na capital da Bahia – conheci alguns caras daqui. Tudo gente legal. [...]

Pois é, como eu ia dizendo, o negócio aqui é porreta! Tudo indica que agora eu vou aprender mais do que em todos os anos que passei em Crato. Verdade! [...]

No dia seguinte à minha chegada fui ao ICA (Instituto Central de Arte) com Hermano Penna – ele trabalha lá. Faz xilogravura, é fotógrafo, cineasta; fez um filme recentemente (documentário). Bem: no ICA, com material e instrumentos à vontade, fiz minha primeira xilogravura. Não saiu boa. Mas estou praticando e quando fizer uma melhor mando-lhe cópia. [...]

Em meados de 1974, depois que meu pai morreu, decidi sair do Brasil; viajar, ir conhecer a América Latina. Faltava pouco tempo para me formar. Na época estava em voga entre os jovens um certo sentimento de latinitud. Fui. De Brasília viajei para Lima em um avião do Correio Aéreo Nacional (Can). Da pouca bagagem que levei, a maior parte eram apostilas publicadas pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo-UnB, com textos escritos por professores e, alguns, de alunos. Levava uma pasta com meu histórico acadêmico e com o currículo. Depois de algum tempo, viajei de Lima para Quito, de ônibus, onde demorei alguns dias. Daí fui para Cali, na Colômbia. Deixei minha bagagem no guarda-volumes da rodoviária, e fui direto à División de Arquitectura, da Universidad del Valle, situada no bairro San Fernando. Lá, falei com o Decano (Diretor) Raul Ortiz. Não sei como conseguimos nos comunicar, pois ainda não falava espanhol. Os professores Álvaro e Maurício me hospedaram. O Decano, depois de olhar meu histórico e currículo, disse que eu podia concluir o curso e que, se quisesse, poderia trabalhar ali como professor. Foi isso o que aconteceu. Só na segunda metade de 1978 voltei para o Brasil.

Cali, enfim, é a cidade onde me graduei e lecionei na División de Arquitectura da Universidad del Valle. Lá, vivendo  com um povo, uma cultura, uma língua diferentes, confirmei, com os amigos colombianos, minha vocação para a docência, para a democracia e para o respeito à diversidade.

Natal

Comecei a trabalhar na Universidade Federal do Rio Grande do Norte em outubro de 1978, quando fui contratado como Professor Colaborador e iniciei minhas aulas de História da Arquitetura e da Cidade no Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN.

Naquela época ainda se vivia, no campus, um ambiente atrasado e repressivo. Havia um serviço interno de informações, articulado ao gabinete do reitor. Era a ASI (Assessoria Especial de Segurança e Informações), que investigava os professores, funcionários e estudantes, e tinha ligações com a repressão federal. Os reitores eram indicados pelas oligarquias locais e toda atividade política era reprimida.

 

Mesmo assim era possível resistir. Assim, entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, participei da fundação da Adurn (Associação dos Docentes da UFRN, 1979) e da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores, 1980). 

 

Eram os tempos difíceis da ditadura militar. Na Adurn, lutávamos -o Movimento Docente e outros movimentos sociais- pelo restabelecimento da democracia e do estado de direito. 

No âmbito da universidade, a luta era pelo estabelecimento de critérios republicanos e democráticos nas relações universitárias, pela qualidade do ensino e por melhorias nas nossas condições de trabalho. Obtivemos muitas vitórias, como uma distribuição orçamentária mais equânime entre os Centros, a democratização da eleição para reitor e a estruturação de uma carreira docente, por exemplo.

Como professor e como chefe do departamento participei dos trabalhos de reestruturação do currículo do Curso de Arquitetura e Urbanismo. Então, eu costumava dizer para os alunos: Vocês têm que participar das discussões; vocês devem ser os mais interessados na qualidade do currículo. Pois o que está em jogo é a formação de vocês.

Quando eu falava essas coisas, na verdade me apoiava em minha própria experiência em reformulação de currículo, de quando estudei na Universidade de Brasília, no ICA-FAU (Instituto Central de Artes-Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), depois Departamento de Arquitetura e Urbanismo (DAU)-UnB.

Na UFRN também participei da criação do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU, e integrei seu Colegiado de Curso.

Ao longo do meu trabalho docente publiquei minhas pesquisas em formatos de livros que saíram em tiragens pequenas, circulam apenas no âmbito local.

Na verdade, só o prazer de escrevê-los já é uma realização. Mas é óbvio que escrevemos livros para serem lidos por outras pessoas. Por isso, me alegra a possibilidade desses livros virem a ser uma contribuição para a formação de alunos, na graduação e na pós-graduação, na UFRN e em outras instituições.

Além da satisfação de ser lido e de ter minhas pesquisas divulgadas, corresponder às exigências docentes era outro estímulo para a publicação dos meus livros.

Títulos a seguir:

 

O mito da fundação de Natal e a construção da cidade moderna.

Coop. Cultural/Sebo Vermelho, 2000

Natal século XX: do urbanismo ao planejamento urbano. Edufrn, 2001

Arquitetura no Rio Grande do Norte: uma introdução. Coop. Cultural, 2002

Saneamento e modernização em Natal: Januário Cicco, 1920. Sebo Vermelho, 2003

Luís da Câmara Cascudo e a questão urbana em Natal. Edufrn, 2006

Cidade sempre nova e outros escritos. Plena, 2009

Rumo à estação progresso: mito e construção da cidade moderna. Autor, 2010

Recordo com alegria da minha trajetória na Cooperativa Cultural Universitária. Fui Conselheiro, Secretário, Vice-Presidente e Presidente da Cooperativa Cultural Universitária (diversos períodos até 2009).

Enfim, trabalhar com os alunos, criando condições para o seu desenvolvimento e ficar contente com o seu sucesso; amar as minhas meninas, os amigos e a natureza; e, no meu caso, mesmo sendo um amador beirando a incompetência, fazer política:

eis a síntese da vida.

 

Para mim essas coisas aconteceram simultaneamente.

 

Vivi intensamente a fundação do PT em Natal. Tinha orgulho de apresentar-me como petista. Para mim, ser do PT era um modo de vida.

 

No início dos anos 1980, tratávamos a todos como companheiro-companheira. Em uma reunião, de repente ouvia-se: Vou ter que sair mais cedo porque a companheira tem um compromisso e eu vou ficar com as crianças...

 

E mesmo quando não estávamos em campanha eleitoral, eventualmente, ostentava minha estrelinha no peito.

Somos um partido (embora eu não seja filiado) feito por pessoas, em sua maioria jovens (jovens com algumas décadas de militância!), que se mobilizam em defesa da cidadania e da justiça social.

Pessoas como eu, com mais de setenta anos, doaram sua juventude para construir um partido que transformaria o Brasil em uma nação mais democrática. Ainda não há plena democracia, assim como não há cidadania plena, mas já avançamos um pouco.

 

A luta continua... Luta por felicidades também.